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Agnaldo de Jesus, o ‘Seo Boneco’, ex-VOCEM, reina no Remo

Em 1987, revelado nas categorias de base do Santos Futebol Clube, onde não teve muito aproveitamento e após uma curta passagem pelo São Bento de Sorocaba, chega a Assis para vestir a camisa bordô e branca, número 8, um dos jogadores mais idolatrados pela torcida do VOCEM: José Agnaldo de Jesus.

Na bagagem, além de roupas, logo ele acrescentaria um arsenal de apelidos.

Cascão, Falcon e Minotauro eram alguns deles em referência à sua forma física e aparência. Os autores dos apelidos geralmente eram os mesmos: Naldinho, Daniel e Corina.

No entanto, o apelido que mais se identificou e carrega até hoje, pela semelhança com um personagem da Escolinha do Professor Raimundo, é o ‘Seo Boneco’, nome que escolheu para um projeto social que mantém, há mais de 10 anos, em Belém do Pará, onde ele reinou como jogador e técnico do Remo e até mesmo no rival Paysandu.

Há anos, Agnaldo de Jesus divide a vida entre futebol e a sociedade com o irmão, numa empresa transportadora de cargas.

A coluna Memória Mariana desta semana conta a história de Agnaldo de Jesus, o ‘Seo Boneco’, eternizado pelos torcedores do VOCEM como um dos mais valorosos guerreiros da raça na história do ‘Esquadrão da Fé’.

aguinaldo antes

ANTES – Revelado nas categorias de base do Santos Futebol Clube, José Agnaldo de Jesus, não teve o aproveitamento e valorização que sonhava no celeiro de grandes craques da vila Belmiro.

Do litoral, se transferiu para Sorocaba, onde também teve uma curta passagem pelo Esporte Clube São Bento.

Quis o destino que, em 1987, o VOCEM, num negócio intermediado pelo empresário Mauro dos Santos, que possuía um grande acesso e livre trânsito com a diretoria do clube de Sorocaba, emprestasse ‘meio time’ do São Bento.

Desembarcaram em Assis: o goleiro Hélio, os zagueiros Beto e Ricardo, o lateral esquerdo Guto e o meio campista Agnaldo, entre outros nomes.

“Com toda certeza, afirmo que a minha carreira teve início em Assis. Mesmo passados 30 anos, eu tenho o VOCEM guardado no meu coração”, conta Agnaldo, hoje radicado em Belém do Pará, onde é primeiro suplente de vereador e ídolo do Remo, onde conquistou títulos como jogador e técnico.

Ao discorrer sobre sua primeira passagem pelo VOCEM, em 1987, Agnaldo não se recorda da estreia, mas garante que a melhor lembrança foi a vitória sobre o CAC -Clube Atlético Cândidomotense-, que garantiu ao VOCEM o título do grupo e o acesso de divisão no futebol paulista.

“Não tem como esquecer aquela partida no estádio Marcelino de Souza, completamente lotado, e a nossa vitória por 1 a 0, gol do ponta direita Biro Biro. Inesquecível”, resume.

O então camisa 8 do VOCEM, Agnaldo, rasga elogios pelo time da temporada de 1987. “Foi um ano maravilhoso, vitorioso na minha carreira. Tínhamos um VOCEM respeitado dentro do futebol”, conta.

A boa campanha de 1987 fez com que a diretoria mariana renovasse o contrato de Agnaldo. “Em 1988, os dirigentes montaram uma verdadeira seleção do interior, com Mário Sérgio e Roberto Alves, entre outros jogadores com passagens brilhantes por grandes clubes, mas, infelizmente, as coisas não andaram como deveriam andar”, lamenta, sem saber apontar as causas pela campanha que ficou aquém do que torcida e diretoria esperavam.

Nos dois anos que morou em Assis, Agnaldo faz questão de contar um episódio extra-campo. O ‘causo’ é interrompido com uma sonora gargalhada: “Um fato curioso, que jamais me esqueci, ocorreu fora dos gramados. Nós estávamos concentrados, quando nosso centroavante Bigu chegou ‘meio bacana’ e reclamou do volume alto da televisão. Como ninguém deu ouvidos à reclamação, o ‘negrão’ sacou um revólver e atirou na TV. Nós ficamos vários dias sem poder assistir televisão, que era nossa única forma de entretenimento na república (alojamento). Conto essa história até hoje para meus amigos. Em Assis, tive um dos melhores ambientes na minha carreira”, revela.

Algumas pessoas, além dos amigos jogadores, marcaram a história de Agnaldo no VOCEM. “Não posso esquecer do ‘Bil’, nosso motorista (que dirigia o ônibus nas viagens), o seu Luiz Vilela (supervisor), que tinha um Passatinho (modelo de carro) verde, e o Felipe Veloso, que era nosso mordomo”, conta Agnaldo.

aguinaldo hoje

DEPOIS – Após duas temporadas vestindo a camisa do VOCEM, em 1989 Agnaldo foi vendido para a Catanduvense, onde resume ter feito com Campeonato Paulista da Série A-1 “excepcional”.

Naquele ano, mesmo sendo considerado um volante de contenção, Aguinaldo marcou cinco gols, sendo um contra o Corinthians, em jogo transmitido pela TV Globo para todo país. “Além dos gols, fiz jogos memoráveis e acabei sendo contratado pelo Sport Clube do Recife, onde fui campeão brasileiro da Série B em 1990 e disputei a Série A, em 1991”, se orgulha.

Ao final do primeiro semestre de 1991, ele iniciava uma das mais lindas trajetórias no clube onde viraria ídolo anos depois: o Clube do Remo, de Belém do Pará.

O apelido ‘Seo Boneco’ começou quando, após marcar um gol, levantou um dos braços e saiu correndo, com os passinhos curtos e pés quase juntos, imitando o personagem da Escolinha do Professor Raimundo, encenado pelo filho de Chico Anysio.

Nas sete temporadas que vestiu a camisa do Remo, Agnaldo ‘Seo Boneco’ conquistou seis títulos estaduais e teve atuações destacadas nas Série A e B do Campeonato Brasileiro.

“Encerrei minha carreira como jogador em 1998, após me transferir para o rival Paysandu, onde também fui campeão paraense”, relembra.

Final de carreira nos gramados, Agnaldo de Jesus decidiu mudar de ramo. Largou de ser volante para agarrar o volante dos caminhões da empresa que já possuía em sociedade com o irmão.

Foi empresário de transporte de cargas até ver sua filha se formar na universidade PUC, em Campinas.

Agnaldo decidiu fazer um regime, perder peso e começar a estudar para voltar ao futebol, mas, desta vez, como treinador.

“Passei por vários clubes me qualificando. Estive no Guarani de Campinas, com o treinador Hélio dos Anjos; no Goiás, tendo como professor o saudoso Lori Sandri e pude ter uma experiência internacional, durante 45 dias na Espanha, acompanhando os treinamentos do La Corunha, time da primeira divisão do futebol espanhol, a convite do ex-volante do Palmeiras e Seleção Brasileira, César Sampaio”, narra.

Ao final de 2.003, com 35 anos de idade, Agnaldo de Jesus foi contratado pela diretoria do Clube do Remo para ser assistente do treinador Givanildo.

Em 2.004, o técnico titular teve um desacerto com os dirigentes e Agnaldo foi promovido a treinador. “No primeiro ano fora dos gramados, fomos campeões invictos. Foram 14 jogos e 14 vitórias. Jamais um clube conseguiu tal façanha”, orgulha-se.

Além dos poderosos clubes do Remo e Paysandu, Aguinaldo comandou o Bragantino, time da cidade de Bragança, localizada no interior do Estado. “Levamos o time ao terceiro lugar do Campeonato Paraense de 2.019, numa campanha espetacular”, comemora.

Agora, apesar dos convites de alguns clubes recusados e por conta da pandemia, Agnaldo só dirige a empresa junto com o seu irmão e o seu projeto social.

POLÍTICA – Aos 53 anos de idade, Agnaldo de Jesus ‘Seo Boneco’ é uma das pessoas públicas mais respeitadas e reconhecidas em Belém do Pará.

Paralelamente ao futebol e à sociedade na empresa transportadora, o ex-camisa 8 do VOCEM comanda o projeto social ‘Agnaldo de Jesus Seo Boneco’, que atende centenas de famílias com dificuldades financeiras que moram na periferia.

A fama alcançada no futebol e o trabalho social despertaram interesse da Revista Veja, que dedicou quatro páginas à sua história, e aos partidos políticos paraenses.

Assediado, ele decidiu experimentar as urnas em 2016, tendo recebido cerca de 3.400 votos para vereador, que o deixaram na condição de primeiro suplente na Câmara Municipal de Belém.

Sobre o futuro político: “Ainda não decidi, mas se entrar na eleição deste ano, vou entrar forte”, promete um dos atletas de maior reconhecimento da torcida do VOCEM de Assis, que virou ídolo no Clube do Remo, onde reinou como jogador e treinador.

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Agnaldo chegou ao VOCEM em 1987 e hoje reina no Remo de Belém

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