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onde anda gazola com foto

MEMÓRIA MARIANA: Conheça a história e o drama de Gazola, revelado na Água da Aldeia, em Palmital

Ademir Gazola, nascido um sítio da Água da Aldeia, em Palmital, em 1961, é o personagem nesta semana da coluna ‘Memória Mariana’, que procura resgatar uma pouco da história de vida de atletas que passaram pelo VOCEM de Assis e não moram mais na cidade.

ANTES – Gazola começou a jogar futebol nos anos 70, ainda adolescente, nos times de sítios e ‘águas’ na região de Palmital. “Eu era pequeno ainda e brincava no ‘segundão’ e, às vezes, no time principal”, começa a contar.

Em 1978, Gazola assinou uma ficha da Federação Paulista de Futebol para jogar no time juvenil do Palmital Atlético Clube, que disputava o Campeonato Paulista da Terceira Divisão.

Na época, o técnico da equipe profissional do PAC, Osvaldo Siqueira, que é de Assis, assistiu um treinamento coletivo do ainda garoto Gazola e avisou a diretoria que iria começar a relacionar o jogador no time profissional, onde o atacante permaneceria por mais três anos, até 1980.

Como não recebia salário no clube profissional, Gazola dividia o seu dia entre treinamentos e trabalho. “Eu trabalhava no período da manhã e, à tarde, era liberado para treinar”, se lembra.

No período de 1981 a 1983, como o PAC pediu afastamento das competições profissionais, Gazola parou de atuar profissionalmente, mas continuou trabalhando e atendendo os convites para jogar aos finais de semana nos clubes pela região.

No final de 1983, a convite do ex-centroavante Júlio César, que é de Palmital e atuava no VOCEM, Gazola conheceu o técnico Valter Zaparolli, que pediu para que ele participasse de uma semana de avaliação em treinamentos na Ferroviária. “O Zaparoli gostou e pediu minha contratação no VOCEM, onde comecei a atuar naquele grande time de 1984, que chegou ao quadrangular final”, se orgulha o ponta direita.

O garoto da ‘Agua da Aldeia’ estreou num amistoso preparatório contra o Noroeste de Bauru. “Estreei com sorte, marcando gol”, rememora o atacante palmitalense.

Gazola permaneceu no ‘Esquadrão da Fé’ por três temporadas, de 1984 até o final da temporada de 1986. No entanto, algumas lesões atrapalharam seu melhor aproveitamento no clube.

O ponta direita conta que, logo no primeiro ano, quando o grande destaque do time, o atacante Carlinhos, foi negociado com o Bahia, ele seria o substituto imediato, mas uma lesão o tirou dos gramados por quase seis meses, fazendo com que pudesse voltar a ter condições somente no quadrangular final.

Mesmo com a lesão, que o afastou do time por quase seis meses, Gazola considera que o melhor de sua carreira com a camisa bordô e branca foi justamente em 1984.

Contrato renovado para permanecer no VOCEM em 1985, Gazola teve uma outra lesão, sendo submetido a uma cirurgia.

Naquela temporada, se lembra de um jogo contra o Fernandópolis, quando marcou um dos mais belos gols de sua trajetória. “Eu estava fora da área e peguei um rebote. Mesmo sendo destro, acertei uma ‘pancada’ de esquerda, marcando o gol da vitória”, orgulha-se.

Gazola atribui à sua compleição física o fato de ter sofrido tantas lesões. “Eu era leve e driblador, mas o futebol da Segunda Divisão era muito ‘pegado’. Tinha muito ‘tranco’ e a gente sofria muito”, explica.

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Gazolinha (o primeiro agachado) no time do VOCEM em 1985

DEPOIS – Em 1987, não tendo renovado contrato com o time de Assis, Gazola, que cursava o último na Faculdade de Educação Física em Assis, recebeu alguns convites do técnico Domingos Barone, com quem trabalhara no VOCEM, para jogar em outros clubes, mas preferiu ficar na região. “Como estava concluindo meu curso, decidi ficar na região e assinei contrato com o Palmital, que havia voltado ao profissionalismo e acabei sendo campeão paulista da ‘Terceirona’ com o PAC”, lembra Gazola.

Quando estava se preparando para iniciar a disputa da Segundona pelo PAC, uma nova lesão, sofrida num treinamento, praticamente, obrigou o atacante a encerrar a carreira. “Eu tentei voltar no ano seguinte, em Santa Cruz do Rio Pardo, mas minha condição física não suportava mais, em razão da última lesão sofrida”, contou Gazolinha, que descobriu, anos depois, outros problemas de saúde que o impediram de voltar a jogar.

PÓS FUTEBOL – Sem condições de jogar, o atacante Gazolinha começou a se transformar no professor Ademir Gazola. “Comecei a dar aulas em escolas estaduais e academias e voltei à faculdade para fazer pós-graduação ‘Futebol, teoria e prática’, em Londrina”, conta o jogador que, pelo conhecimento, foi convidado a ser preparador físico do clube onde iniciou sua carreira: o Palmital Atlético Clube.

Em 1993, Gazola foi contratado pelo Paranavaí para comandar a preparação física do clube no Campeonato Paranaense da 1ª Divisão.

Na mesma temporada, o professor Gazola atuou no União Bandeirantes, também do estado do Paraná, onde ficou mais dois anos trabalhando nas categorias de base e recebeu o convite para preparar, fisicamente, a equipe profissional.

Ao final desse trabalho, Ademir Gazola voltou à faculdade em Londrina, em 1995, desta vez para uma nova ‘pós-graduação’, em ‘Treinamento Desportivo’.

Com tanto conhecimento teórico e prático, sobravam convites e não faltava trabalho no futebol para o professor Gazola: “Trabalhei no Londrina-PR, União Bandeirante-PR, Nacional de Rolândia-PR, Rio Branco de Paranaguá-PR, Guaçuano-SP e Pirassununguense-SP, além de alguns trabalhos em escolinhas de futebol”, se recorda.

A peregrinação de Gazola pelos clubes parou em 2.008, quando ele voltou para a cidade natal, Palmital, ser secretário de esportes.

Anos depois, teve uma nova passagem por alguns times do futebol paranaense, até voltar, em definitivo, a Palmital, onde, em 2.011, descobriu um grave problema de saúde, ficando oito meses sem poder andar. “Um reumatismo se manifestou, de forma violenta, em meu organismo, me obrigando a permanecer somente deitado por meses”, se recorda o professor, que se viu impossibilitado de receber convites para atuar em clubes de outras cidades.

“Era muito difícil. Fui obrigado a permanecer na região, onde tinha mais facilidade para buscar minha medicação e me tratar”, explica Gazola, que continuou na cidade onde nasceu, sempre envolvido no esporte, principalmente o futebol.

Em 2.019, Gazola teve um novo e grave problema de saúde. Foi diagnosticado um tumor na coluna dorsal, que começou a dificultar seus movimentos e até mesmo o equilíbrio.

Neste ano, no início de maio, Gazola passou por uma cirurgia num hospital em Jaú, porque, segundo o médico, o tumor estava comprimindo a medula, fazendo com que ele perdesse os completamente movimentos e a sensibilidade nos membros inferiores.

“Agora, estou me recuperando, fazendo fisioterapia, retomando meus movimentos e dando os primeiros passos com a ajuda de um andador”, conta o drama, o ex-jogador mariano, que está prestes a completar 59 anos de idade.

“Estou aqui, lutando para voltar a andar e creio que, em breve, darei meus primeiros passos, novamente, em busca do principal objetivo, que é voltar a exercer meu trabalho e minhas atividades no esporte, que tanto gostei”, finaliza o professor Ademir Gazola, que está acolhido na casa da mãe, contando com a ajuda dos familiares, nesse difícil momento.

FAMÍLIA – Ademir Gazola tem dois filhos: Marcos Vinícius, com 37 anos de idade, que mora e trabalha em São Paulo e Yago, de 24 anos, que continua em Palmital, fazendo estudando e fazendo pós-graduação.

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Gazola se recupera de cirurgia em Palmital

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