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Morre, em Bauru, o professor João Francisco Tidei de Lima

Foi sepultado na tarde desta segunda-feira, dia 7 de junho, aos 82 anos de idade, na cidade de Bauru, onde estava residindo, o professor universitário João Francisco Tidei de Lima, que teve atuação marcante em sua passagem pela Unesp de Assis.

Segundo o amigo, e também professor universitário, José Sterza Justo, Tidei de Lima foi internado no domingo e morreu, vítima de embolia, sem estar relacionada à COVID-19. “O resultado foi negativo para COVID. A família e os amigos puderam se despedir por algumas horas em que o corpo foi velado”, contou.

Graduado em História e Geografia pela Universidade do Sagrado Coração(1961) e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo(1978), Tidei de Lima foi professor do Curso de História da Unesp-Assis no período de 1971 a 1991.

Durante o período que residiu em Assis e foi docente da Unesp, Tidei de Lima teve uma presença muito marcante na cidade. “Destacou-se como professor do curso de História, muito querido e admirado pelos alunos e colegas professores do curso desse e dos outros cursos da Unesp”, lembra o colega, também professor da Unesp, José Sterza Justo.

Justo lembra que “nos anos de 1975 e 1976, junto com outros docentes, Tidei de Lima teve uma participação destacada em todo o processo de transformação dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo (ao qual pertencia a então Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras – FAFIA)  na atual Universidade Estadual Paulista (UNESP). A antiga FAFIA passou a integrar a fazer parte da UNESP, com um de seus 16 Campi distribuídos por todo o interior do estado”, conta o professor.

Naquele tempo, se recorda Justo, “o processo de criação da UNESP, em 1976, em plena ditadura militar e no bojo do ‘malufismo’ que governava o Estado de Paulo, gerou muitas controvérsias e conflitos decorrentes do fechamento de cursos nos vários institutos isolados que passaram a integrar a UNESP”, aponta.

O professor lembra que “Assis perdeu o importante e respeitado curso de Filosofia. Contra o projeto autoritário que pretendia, com a criação da Unesp, no fundo, reduzir cursos e investimentos no ensino superior paulista, houve intensa mobilização dos docentes que procuravam participar dos novos rumos do que seria a UNESP e frear o fechamento de cursos”, aponta Justo.

Amigos lembram que João Francisco Tidei de Lima foi um desses docentes da então FAFIA Assis que lutaram fervorosamente contra o fechamento de cursos e procuraram fazer da nascente UNESP uma universidade pública democrática. “Dessa ampla mobilização inicial em defesa de um modelo de universidade publica, gratuita e democrática surgiu a Associação dos Docentes da Unesp (ADUNES), hoje, transformada em sindicato dos docentes da UNESP”, explica Justo.

João Francisco foi o primeiro presidente dessa associação, nascida com a Unesp, e continuou participando ativamente das diretorias seguintes, “sempre defendendo a liberdade de ensino e pesquisa contra as tentativas da ditadura militar, da época, de amordaçar e silenciar as vozes da ciência e dos universitários, aliás, tal como volta a acontecer hoje”, lamenta o professor Justo.

Em 1983, Tidei de Lima esteve na dianteira do movimento pela democratização da Unesp que irrompeu no campo de Assis, dentro do panorama geral do fim da ditadura militar e dos primeiros lampejos do amplo ‘movimento das diretas já’, que dava início à redemocratização política do país.

Como parte desse movimento que se esboça no país, docentes e alunos da Unesp-Assis, deflagraram um movimento interno por eleições diretas para a direção do Campus. Até então, o diretor era escolhido pelo reitor da Unesp a partir de uma lista de três nomes indicados pela Congregação da Faculdade. Esse movimento pelas eleições diretas na Universidade, iniciado em Assis, se irradiou por toda a Unesp e por outras universidades públicas do estado de São Paulo. Contribuiu significativamente para que o processo de eleição dos dirigentes universitários fosse, mais adiante, instituído nas universidades, bem como, contribuiu para o fortalecimento da luta pela redemocratização do país e para o retorno das eleições diretas para Presidente da República e governadores dos Estados.

“Em todas essas lutas acumuladas ao longo da vida, João Francisco Tidei de Lima sempre se mostrou um incansável defensor das liberdades democráticas, do Estado de direito, da cidadania plena e da justiça e igualdade social”, enaltece o colega Justo.

“Em conversa recente com o colega João Francisco, ele se queixava, muito entristecido, que o que mais lhe decepcionava no momento atual da sociedade e da política brasileiras, envoltas num clima de conservadorismo e autoritarismo anti-democráticos, era a ‘falta de horizontes’, segundo suas próprias palavras. Afinal, para quem sempre combateu, fervorosamente, o autoritarismo e o fascismo e pôde colher frutos dessa luta no período do fim da ditadura militar e redemocratização do país, é profundamente frustrante ver o país novamente mergulhado nas trevas da truculência autoritária e conservadora do passado”, ressaltou Justo.

A dissertação de mestrado do professor Tidei de Lima, segundo Justo, “representa uma contribuição inestimável para a história da colonização do oeste paulista, incluindo a região de Assis”. A dissertação tem como título “A ocupação da terra e a destruição dos índios na região de Bauru”.

Defendida em 1978, ela destaca o genocídio dos indígenas que acompanhou todo o processo de grilagem, ocupação e apropriação coronelista da terra com o avanço das fronteiras dos latifúndios agrícolas pelo interior do Estado de São Paulo, aliás, fenômeno que hoje se desenrola, da mesma forma, em terras indígenas remanescentes em outras regiões do país.

Na cidade de Bauru, onde viveu intensamente os últimos anos de sua vida, Tidei de Lima criou o ‘Museu da Ferrovia’.

PUBLICAÇÕES

a) Livro: Alô, Alô, Ouvintes: no Ar, o Rádio em Bauru. Ano de publicação 2013.

b) Jornais

IMA, J. F. T. . POPULISMO – O CHARME POLITICO DOS ANOS DOURADOS. Diário de Bauru, BAURU, 1993.

LIMA, J. F. T. . GRILAGENS BUGREIROS E TAMBÉM OS ÍNDIOS, NA MORTE DE MONSENHOR CLARO. Diário de Bauru, BAURU, 1979.

Anais de Congressos científicos

LIMA, J. F. T. . ANAIS DA SEMANA DE ESTUDO DE HISTÓRIA AGRÁRIA. In: SEMANA DE ESTUDO DE ESTUDO DE HISTÓRIA AGRÁRIA, 1982, ASSIS. ANAIS DA SEMANA DE ESTUDO DA HISTÓRIA AGRÁRIA. ASSIS: UNESP, 1982. v. ÚNICO.

LIMA, J. F. T. ; COWLEY, M. E. . NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA SOBRE O LIVRO HISTÓRIA DE LA TRATA DE NEGROS. In: ANAIS DE HISTÓRIA, 1975. ANAIS DE HISTÓRIA. ASSIS: FFCL, 1975.

LIMA, J. F. T. ; MELLO, M. C. D. I. E. . NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA O BOIA FRIA, ACUMULAÇÃO E MISÉRIA. In: ANAIS DE HISTÓRIA, 1975. ANAIS DE HISTÓRIA. ASSIS: FFCLA, 1975.

LIMA, J. F. T. ; SOBOUL, A. . RESENHA SOBRE O LIVRO A REVOLUÇÃO FRANCESA. In: Semana de Estudos de História Agrária, 1974, Assis. ANAIS DE HISTÓRIA. ASSIS: FFCL, 1982.

LIMA, J. F. T. . CENTRO DE MEMÓRIA REGIONAL UNESP – R.F.F.S.A.. 1992 (ÁREA ARQUIVÍSTICA)

Estudos no Exterior com bolsa concedida por instituições de fomento

a) EUA

LIMA, J. F. T. . Universidade de Yale. 1976 (Bolsa no exterior) .

b) França

LIMA, J. F. T. . Tratado de Methuen. 1966 (Bolsa no exterior) .

LIMA, J. F. T. . Intitut Europeen des Hautes Etudes Internationales . 1979 (Bolsa no exterior) .

Pesquisa e contribuição: Professor José Sterza Justo

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Tidei de Lima morreu em Bauru, aos 82 anos

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