FALA, PROFESSOR RUBENS GALDINO! – O mistério da Encarnação

O existente humano, forma ímpar de vida, certamente, desde seu aparecimento, busca respostas às perguntas a si formuladas. Talvez, uma das primeiras tenha sido o mistério da vida e da morte. Até hoje, as buscas permanecem e as respostas sempre deixam um hiato de inquietação. Na prática, as respostas, na sua essencialidade, permanecem as mesmas. Mudam-se o estilo literário e expressão estética.

Na pré-história, acreditava-se no xamã, que alimenta a crença de que os espíritos das pessoas falecidas pairavam sobre as florestas e campos, manifestando-se através de animais, vegetais e outros acontecimentos da natureza. Numa perspectiva dualística do bem e do mal, dos bons espíritos, as coisas boas da vida; dos maus espíritos, as coisas más da vida. Reminiscências dessa crença ainda continuam difundidas em várias práticas religiosas.

A ciência moderna tenta eliminar dos horizontes de suas preocupações as indagações religiosas. Fundamenta-se num discurso racionalista de origem cartesiana e respaldado em exigências experimentais. Nesse universo acadêmico, a problemática religiosa encontra-se restrita a um modesto lugar nas ciências humanas.

Modesto lugar, por quê? Mesmo nas ciências humanas o discurso religioso se fragmenta. Karl Marx dizia ser a religião algo produzido pelas exclusões econômicas no interior da sociedade. Com o fim da exclusão social, a tendência seria a extinção das formas religiosas. Freud falava de uma contradição inerente à condição humana: problema existencial sem solução nem cura. A religião atuaria como terapia coletiva. Rubem Alves dizia que a religião, além de misteriosa, exerce poder de encantamento, criando armadilhas sofisticadas, em constante aperfeiçoamento, de fascinação e aprisionamento do humano.

Desse modo, não importam as diferenças entre diversas concepções. Importa, sim, a experiência de estar vivo. Estar vivo é, em si, milagre, que carrega utopias. Católicos, protestantes, espíritas, ateus etc., embora embebidos de doutrinas diferentes, clamam por um mundo melhor e mais justo, cada qual a sua maneira. Afinal, ateus também têm suas crenças, deuses, templos, doutrinas e rituais. ´

No calendário litúrgico da Igreja Cristã, expressão religiosa e cultural do mundo Ocidental, este mês é dedicado ao nascimento do Deus-Menino. Teologicamente, denomina-se “Epifania”.  A mensagem nascida do curral, numa simples manjedoura, é carregada de um sentido inesgotável: o Rei desce do trono e torna-se súdito.

Naquele menino, nascido um curral em Belém, Deus se encarnou e se despojou. Tornou-se símbolo visível de uma promessa plantada no coração humano:  a salvação está no acolhimento, no diálogo e na solidariedade. Nele, Deus acolheu o humano, abriu o diálogo e solidarizou-se com a luta por um mundo mais justo e sustentável. Cabe-nos o simples e, ao mesmo tempo, desafiante exercício desse MISTÉRIO.

final galdino

 

O autor, Rubens Galdino da Silva, é jornalista (MTB/SP 32.616) e professor

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